sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

- EU TENHO QUE ARRUMAR ISSO AQUI!
TÁ UM BLOCO DE PAPEL MUITO BAGUNÇADO, MUUUITO...


Vou arrumar tudo, com tempo...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Corresponder

~ Estava mexendo em velhos escritos e achei esse. Não me lembrava dele. Foi difícil acreditar que era meu. Minha memória ainda não se lembra. Mas gostei. E se eu o assinei vou colocá-lo aqui até um dono surgir ou minha memória melhorar!
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Corresponder


Lugares, lacunas, sobra de ar
Visto tudo para um novo angulo
Descubro, descasco,
volto a mirar.

Pequenos espaçamentos antes não notados
Que dor eles trazem agora!
Tudo veio de repente á mim
Tudo veio sem freio
Importunadamente um tudo frustrado.

Pergunto-me se o tempo não podia ter evitado
ou me avisado, perguntado, me lembrado.
Quando as coisas vieram de onde estavam
a culpa caiu na esperança e na sua negligência.
Pobre sono furtado...

Agarro-me a razão costumeira
Vejo nela a salvação de toda minha impaciência
apenas à procura do meu castigo.
Que tem ele a ver com minha impertinência?

Retraio-me em desgosto de mim
Refaço-me em sonhos novos
Torno-o sublime, torno-o meu querer.
Sem saber se é certo ou não,
acredito que eu lhe mereço por fim.

(mar/2009)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

hoje eu quero falar do meu dia

Nunca tive um diário grosso. Raramente registrei dias. Nunca quis ter um blog-diário.
Mas hoje eu quero fazer isso!

Hoje um fato não-engraçado e um não-comum aconteceram comigo.
Peguei um ônibus deplorável e conversei com uma mulher curiosa.
Tudo simples, mas tudo fez minha mente voar bastante.

Primeiro o ônibus.

Onde moro os ônibus tem cores pra cada parte da cidade,
pra mim sempre funcionou como um divisor de povos.
Você pode criar amizade e reconhecer gente de várias outras viagens
se voce pegar mais do bus amarelo ou do verde ou do vermelho e etc.
Eu sou do povo do amarelo, sem vergonha nenhuma disso e sem nobreza também.
Hoje eu precisei pegar um bus branco e todas essas coisas de povos e
reconhecimento me vieram à cabeça e me senti perdida.
Estava me sentindo uma intrusa.
Até porque eu tinha um pouco de medo também, na verdade.
Era um bus branco. Ia prum bairro complicado (no mínimo) aqui da cidade.
Peguei porque ele passava por um lugar perto onde eu estava, mas perto
só de bus, não a pé, e eu preciava ir.
Não sei se é porque ele passa por um dos hospitais açougueiros de urgência daqui,
ou porque o bairro é perigoso, ou porque sei lá que obra do destino e da falta de higiene,
havia sangue em alguns bancos de um lado do bus. Me senti imunda.
Me senti perdida. Fiquei com vergonha de estar ali. Fique com vergonha do
governo do estado. Fiquei com vergonha de como os transportes públicos estão
jogados às traças na cidade em que vivo.
Conheço uma cidade onde você acha que sempre está em bus novos,
eles sempre tem novidades e o chão brilha.
Isso é respeito, não cultura, respeito.
Por favor.

Fim da parte indigesta...

Agora a mulher.

No hospital onde faço fisioterapia o portão de entrada é bem distante do
prédio, então tem sempre uma van trazendo e levando os pacientes.
A moça me fez umas perguntas na van, respondi. Saimos do hospital, descemos
no portão e ela perguntou se eu ía para a parada pq ela tinha medo de andar por
aquele bairro. Sem problemas. Conversamos sobre as dúvidas dela, ela tava com
medo de não conseguir uma consulta no hospital. Mas o que achei curioso foi ela
me chamar de "amiga". Aqui as pessoas se tratam por "colega" e etc. Mas o amiga dela
soava tão, mas tão engraçado! E ela era visivelmente bem mais velha que eu.
Nem moça era, era mulher mesmo, casada e com um filho, que ela me disse.
Quem via a gente atrvessando a rua
falando do absurdo do preço das casas de aluguel da cidade jurava que a gente se conhecia!

Isso de pessoas que abordam a gente e conversam por um tempo e somem da nossa
vida para sempre constantemente me chama atenção.
E comigo vem sempre associado a hospital.
Fila de exames, de consulta, espera de tudo. Em hospital parece que as pessoas confiam
nas outras, parece que há uma liberação só pelo outro ser um paciente como você.
Afinal, quem puxa conversa longa em fila de banco? Em parada? Em banca?
A violência fez a gente se calar pra essas pequenas coisinhas.
Mas acho que os hospitais ainda estão imunes disso.

Se quer sentir que uma pessoa, nesse mundo,
ainda é capaz de ser educada e simpática com outra,
sem malícia nenhuma nisso, observe os hospitais.

Do aqui para frente

Do aqui para frente


Eu só queria que o amanhã tivesse pedaços recortados dos meus sonhos.
Aqueles sonhos tão sonhados, já gastos, desbotados de tanto tempo.
Mas apesar de tudo ainda de pé.
Não sei o quê exatamente cria o limite para esse tipo de coisa, essa espera infinita,
esse querer constante, esse cansaço para tudo que não diz respeito ao outro.
Vai ver, não há mesmo limites.
Ou então até haja mas não faz a menor diferença,
o que não seria novidade.

Continuo caminhando pensando que às vezes sei por que caminho.
Continuo nisso que se faz caminho fingindo que não sinto cansaço.
Quando os pés estão descalços, que sandálias se tira para respirar?
Alma limpa só é suja por pensamentos.
Toda a animação, toda a ilusão consentida,
todo o falso assombro pela tristeza esperada que bate.
O que fazer quando se é feliz?
O que se busca quando se está feliz?

Finjo que me procuro,
mas na verdade eu sei bem o peso de cada coisa.
Amo.
Amo porque sei que não conseguiria fazer nada diferente disso.

domingo, 6 de dezembro de 2009

HA!

- Faz tempo que não apareço por aqui.
Na verdade eu e
squeci por completo que isso existia,
e por conta disso me sinto leve pra voltar!

Nunca sei quem lê, ou se alguém costuma ler meus escritos
de internet, e me impressiono quando ouço "Eu li aquilo no bulógui..."!
Eu me espanto com pouco.
Chegou dezembro já,
e mês passado consegui voltar a desenhar.
Então, minha inspiração tem que voltar também,
não é possível!
A verdade é que a maioria das coisas não finalizo,
e vão passar a eternidade como "rascunho" e isso
nem é tão ruim se você ler Quintana, ele costuma falar da beleza
dos poemas pra sempre inacabados...

Dou as boas vindas à mim mesma.
E espero fugir do meu estilo mais que nunca,
já que é só assim que as coisas parecem funcionar direito.



sábado, 17 de outubro de 2009

um conto de voltaire, só pra nada!

Ando numa falta de criatividade sem limites.
Não há motivos, só ando assim.
Estou lendo um livro bom, colocar um trecho dele aqui me ajuda
a pensar que não abandonei esse meu Bloco de Folhas!
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O Nariz

Um dia, Azora (mulher de Zadig) voltou de um passeio irada e proferindo grandes exclamações: "Que tem você, cara esposa? - perguntou ele. - Por que está tão fora de si? - Ah! - disse ela. - Você estaria como eu, se tivesse visto o espetáculo que acabo de presenciar. Fui consolar a jovem viúva Cosru, que acaba de construir, faz dois dias, o túmulo de seu jovem esposo, perto de um riacho que cruza esta campina. Ela havia prometido aos deuses, em sua dor, ficar ao pé do túmulo enquanto o riacho corresse por ali. - Ah! - disse Zadig. - Eis aí uma mulher de valor, que amava verdadeiramente o marido! - Ah! - retrucou Azora. - Se soubesse o que ela fazia quando cheguei! - O que era, Azora? - Desviava o curso do riacho." Azora se expandiu em invectivas tão prolongadas, explodiu em censuras tão violentas contra a jovem viúva, que essa ostentação de virtude desagradou a Zadig.

Ele tinha um amigo, chamado Cador, que era um dos rapazes em que sua mulher achava mais honestidade e mérito que nos outros: Zadig resolveu confiar nele, assegurando na medida do possível sua lealdade por meio de um respeitável presente. Azora, depois de passar dois dias com uma amiga no campo, voltou para casa no terceiro. Criados em prantos lhe anunciaram que o marido morrera de repente aquela noite, que não haviam tido coragem de lhe levar a funesta notícia, e que acabavam de sepultar Zadig no túmulo de seus pais, no fundo do jardim. À noite, Cador pediu para ser recebido e ambos choraram. No dia seguinte, choraram menos e jantaram juntos. Cador confiou-lhe que o amigo lhe havia deixado a maior parte dos bens, e deu a entender que ficaria feliz se partilhasse com ela essa fortuna. A dama chorou, zangou-se, enterneceu-se; a ceia foi mais longa que o jantar; falaram com mais confiança. Azora fez o elogio do defunto; mas reconheceu nele defeitos que Cador não tinha.

Em plena ceia, Cador se queixou de violenta dor no baço; a dama, inquieta e precipitada, mandou trazer todas as essencias com que se perfumava, a fim de ver se havia uma boa para dor de baço; lamentou muito que o grande Hermes não estivesse mais na Babilônia; dignou-se mesmo a tocar o lado onde Cador sentia dores tão vivas: "Você é sujeito a essa cruel doença? - perguntou ela compassiva. - Vez por outra ela me leva à beira do túmulo - respondeu Cador - e só existe um remédio capaz de me aliviar: é aplicar-me do lado o nariz de um homem morto na véspera. - Que remédio esquisito - observou Azora. - Não é mais esquisito - replicou ele - que os saquinhos do Sr. Arnu contra apoplexi." Esta razão, acrescida do singular mérito do rapaz, terminaram decidindo a dama. "Afinal - disse ela - quando meu marido passar do mundo de ontem para o mundo de amanhã, acaso o anjo Asrael lhe barrará a passagem por que o nariz dele está mais curto na segunda vida que na primeira?" Apanhou, pois, a navalha; foi ao túmulo do esposo, regou-o com suas lágrimas e se aproximou para cortar o nariz de Zadig, que encontrou estendido na cova. Zadig se levanta, segurando o nariz com uma das mãos, e detendo a navalha com a outra. "Minha senhora - disse ele - não deblatere tanto contra a jovem Cosru; o projeto de me cortar o nariz deixa atrás o de desviar o riacho."
Conto de Voltaire, que
faz parte duma saga, chamada
Zadig (ou O Destino) de 1747,
dedicado à Mme. de Pompadour
.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

música

Titãs - Sacos Plásticos (2009)

Gosto muito da banda.
Pra mim um dos melhores cds, se não for o melhor!
Recomendo: Deixa eu sangrar; Porque eu sei que é amor; Sacos Plásticos; Nem mais uma palavra
Música nacional, simples, sem frescura, de verdade também me agrada!