sábado, 28 de abril de 2012

O fato do assombro não podia mais se negar.
Aquelas ruas iam agora recriando seus fantasmas, com novos vestígios diários, com aquelas marcas de vida.
E todo aquele lixo - que podia ser recolhido por agentes da limpeza pública ou por enxurradas até o boeiro mais próximo - era o grande sinal da existência.
A mágica verdadeira iniciou-se pela manhã, quando os primeiros operários iam em busca das tarefas.
Não era simples fazer parte daquilo. Coisas desse nível requerem alguns refinamentos, especialmente de espírito!
Aquele local, passagem para tantos, completamente banal, como por milagre se modificava, camuflava seu lixo, desfocava sua sujeira, abandonava seu mau humor (mesmo com a poluição automotiva de sempre).
Depois os olhos que corriam por poucos segundos...
O esforço em vão que se fazia para alcançar...
A grande felicidade, o grande espanto, a emoção clichê e sincera:
O florescer do Ipê!

(set/2011 ~  mymindin: av. barão de gurguéia)
                     
                                       





 Crédito da imagem: http://www.flickr.com/photos/mauriciopokemon/

2 comentários:

Juh Kyka disse...

Linda como sempre, escrevendo tão bem como sempre... e eu com saudades, como sempre!

Rafael Araújo disse...

Belos versos, minha querida Digrè!
E esse Ipê amarelo?? Isso é tão brasiliense...rs
Tô gostando muito do que estou vendo aqui no seu cantinho de tão bons contados!!
Bjo